Um anúncio de carro de particular se decide na grade de resultados, onde a sua foto tem mais ou menos o tamanho de um selo ao lado de outras onze. Compradores não leem a sua descrição primeiro. Eles rolam a tela e param naquela que parece que alguém cuidou do carro.
O conselho que todo mundo dá é «tire muitas fotos». Não está errado, só é inútil — vinte fotos ruins de um carro numa garagem escura continuam sendo um anúncio em que ninguém clica. O que importa é quais seis, em que ordem, e o que você faz com o fato de ter uma garagem, e não um showroom.
Os seis, na ordem em que devem aparecer
1. Três-quartos dianteiro. A foto principal. Fique a mais ou menos 45 graus da quina dianteira, agache um pouco abaixo da linha dos olhos e enquadre o carro inteiro com um pouco de espaço em volta. É a foto que vai para a grade, e é a única que a maioria dos compradores vai ver. Se você tirar uma foto só, tire essa.
2. Três-quartos traseiro. A imagem espelhada, da quina oposta. Junto com a primeira, essas duas cobrem cada painel do carro — que é exatamente o que o comprador está checando sem perceber. Um anúncio só com fotos da frente se lê como um anúncio escondendo um reparo na traseira.
3. Perfil lateral reto. Perpendicular ao carro, do meio. Sem graça e essencial: é a foto que mostra altura da suspensão, vãos das rodas, nível de acabamento e se o carro está nivelado. Compradores entusiastas vão para ela em segundo lugar.
4. Interior pela porta do motorista. Porta aberta, fotografando por cima do banco do motorista em direção ao lado do passageiro, painel e console central no quadro. Não é uma foto do volante — é uma foto do espaço onde alguém vai sentar duas horas por dia.
5. O odômetro, aceso e legível. Ignição ligada, painel iluminado, foto reta para nada refletir. Essa única foto elimina a pergunta mais comum antes da visita e sinaliza que você não vai criar caso com as outras.
6. Os defeitos, em close. A roda de liga raspada no meio-fio. A marca de pedrisco na pintura. A quina do para-choque arranhada. Todo guia pula essa e todo vendedor experiente jura por ela.
Por que a sexta é a que decide a venda
Parece contraintuitivo fotografar o dano. Não é.
Um comprador que dirige quarenta minutos e encontra um risco que você não mencionou acabou de aprender que o seu anúncio não é confiável — e agora está reexaminando todo o resto que você escreveu. Um comprador que viu o risco no celular, achou que estava tudo bem e foi assim mesmo é um comprador que chega pronto para entregar o dinheiro.
As fotos dos defeitos não são uma confissão. São o que torna as outras cinco críveis.
É aqui também que os marketplaces não deixam margem. O eBay proíbe fotos de banco de imagens para itens usados, danificados ou defeituosos, sem exceção, e pede imagens em close de qualquer defeito, justamente porque isso evita disputas — a política completa está no nosso guia do eBay. Uma foto que apaga discretamente um arranhão de um carro usado não é uma escolha de apresentação; é a deturpação que essas regras existem para impedir, e toda plataforma resolve essa discussão a favor do comprador.
O problema da garagem
Então aqui está o aperto de verdade. Você tem os seis ângulos certos. Você também tem uma garagem de concreto rachado, a lixeira do vizinho, fios de energia por cima e — porque você fotografa depois do trabalho — luz cinza e chapada às quatro da tarde.
Nada disso é sobre o carro. Tudo isso é o que o comprador vê.
As soluções tradicionais são dirigir até algum lugar bonito na hora dourada, ou pagar um fotógrafo de concessionária. As duas funcionam. As duas custam uma tarde que você não planejava gastar com um carro do qual está tentando se livrar.
A terceira opção é tirar as seis fotos exatamente como descrito, na sua garagem, e gerar a apresentação: mesmo carro, mesmos ângulos, mesma pintura, mesmas rodas, num fundo neutro e limpo com luz uniforme. As lixeiras somem. O carro não muda.
Essa linha importa e vale a pena ser preciso sobre ela. Reiluminar o seu carro contra um fundo liso é uma decisão de apresentação, a mesma que uma concessionária toma ao estacionar sob um teto. Remover um amassado é mentira. A primeira é para o que a geração serve; a segunda é o que rende um pedido de reembolso e uma avaliação negativa.
O que fazer de fato neste fim de semana
Lave o carro — sério, esses ainda são os dez minutos de maior retorno do processo inteiro. Esvazie o interior por completo, incluindo os porta-objetos da porta que você esqueceu. Fotografe os seis ângulos em luz chapada e uniforme, o que normalmente significa céu nublado ou uma hora antes do pôr do sol, não meio-dia claro. Mantenha o celular na altura do peito, não na altura dos olhos; carros ficam ruins fotografados de cima. Depois fotografe os defeitos com honestidade, de perto e em foco.
Se são os fundos que estragam, é essa a parte que vale corrigir — e a única.
O nosso gerador de shot list gratuito imprime essa série para o seu tipo específico de veículo, e a página de fotos de veículos mostra como ficam essas mesmas fotos de garagem quando o fundo faz o trabalho dele em vez de atrapalhar.