Um restaurante com trinta pratos precisa de trinta fotos, e é essa aritmética que faz a maioria dos cardápios ser ilustrada com quatro.
O número do fotógrafo
A diária de um fotógrafo gastronômico fica entre US$ 600 e US$ 1.800, conforme cidade e portfólio, e um dia cobre realisticamente oito a quinze pratos — empratamento, styling, luz, troca entre pratos. Some um food stylist e sobe; some aluguel de props e sobe de novo.
Um cardápio de trinta pratos, portanto, são dois a três dias. Digamos US$ 1.500 na ponta barata e US$ 5.000 na normal, mais o tempo de cozinha para empratar cada prato duas vezes: uma para a câmera e outra porque a versão da câmera esfriou.
Não é abuso: é o que o trabalho custa. O problema é que é um valor pago antes de você saber quais pratos vendem, e que envelhece assim que o cardápio muda.
Onde o custo realmente pesa
Não no primeiro ensaio. No segundo.
Na primavera você acrescenta um prato. Reajusta preços. Tira dois. Agora quatro das suas trinta fotos estão erradas, e rechamar o fotógrafo por quatro pratos custa quase o mínimo de meia diária. Então a maioria não chama — e o cardápio vai ficando defasado até dar vergonha e ser refeito inteiro.
O custo recorrente é o custo real, e é justamente o que ninguém te orça.
O outro número
Fotografe o prato empratado no celular e gere o cenário: 10 créditos por foto, então trinta pratos são 300 créditos — cerca de US$ 6. Um prato acrescentado na primavera custa 10 créditos, não meia diária.
Essa comparação só é justa se o resultado prestar, então vem a parte honesta.
Onde funciona e onde não
Funciona nas suas próprias superfícies. Seu cardápio, seu site, suas redes, a lousa impressa. Ninguém regula isso, e o único teste é se a foto representa o prato.
Funciona em apps de entrega, com cuidado. Uber Eats e DoorDash exigem que a foto represente o item com precisão. Reiluminar seu prato realmente empratado atende. Gerar uma versão mais farta e mais brilhante, não — e o guia de entrega é direto sobre o motivo: o cliente abre a embalagem e compara.
Não funciona no seu Perfil da Empresa no Google. A diretriz do Google pede que não haja alterações significativas e diz que a imagem deve representar a realidade. Essa regra vale para o estabelecimento tanto quanto para o prato. Fotografe seu restaurante você mesmo; o guia completo explica onde fica a linha.
A regra que mantém você fora de encrenca
Fotografe o prato que você serve, na porção que você serve. E deixe a mesa, a luz e o fundo serem produzidos em vez de alugados.
Um mármore gerado sob o seu risoto real é uma decisão de styling. Um risoto gerado com mais camarões do que você emprata é uma devolução, uma avaliação ruim e, num app de entrega, um problema de política. A distância entre as duas coisas é o assunto inteiro.
Trinta pratos por US$ 6 é um número real. É real porque faz menos do que um fotógrafo — não cozinha, não emprata, não estiliza. Só faz a superfície embaixo do prato deixar de ser uma linha do orçamento.